Blog

Por que um curso de aprimoramento em Terapia Analítico Comportamental Infantil?


Sem categoria 0

Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou o Brasil como o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina, quinto colocado mundial nas estatísticas dessa importante enfermidade. De acordo com a OMS, a taxa de ansiedade no Brasil de 9,3% é quase três vezes maior que a média global (3,6%). Além disso, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior da América Latina e o segundo maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos. Ainda de acordo com as últimas estimativas da OMS, mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo, um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. A falta de apoio às pessoas com transtornos mentais, juntamente com o medo do estigma, impede muitas pessoas de acessarem o tratamento de que necessitam para viver vidas saudáveis e produtivas, sendo esse transtorno a principal causa da incapacidade ocupacional em todo o mundo.

Essa informação não está descontextualizada da repercussão recente que a série do Netflix 13 Reasons Why e o jogo Baleia Azul tiveram na mídia, nas escolas brasileiras e entre um número significativo de famílias com crianças e adolescentes. São elevadas as taxas de crianças e jovens que possuem algum tipo de sofrimento mental, mesmo ainda existindo um pequeno número de casos sendo encaminhados para tratamento. Ainda que nem todos os casos tenham o fim trágico apresentado na série (o suicídio), muitos desses casos que não são acompanhados na infância e adolescência, cronificam-se e produzem um sofrimento ainda maior na vida adulta.

Ao mesmo tempo que os dados da OMS são relacionados a um subdiagnóstico do sofrimento mental, principalmente relacionados à infância, existe, atualmente, uma medicalização excessiva de problemas aparentemente biológicos. Muitas vezes, esses problemas seriam melhores entendidos se contextualizados com a análise da história de vida dos clientes/pacientes inseridos em um cenário cultural complexo. A medicalização da vida se caracteriza pela transformação de experiências humanas comuns (por exemplo, sofrimento, luto, desatenção e inquietação) em problemas médicos (e.g., Depressão, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Seu efeito mais explícito se expressa na utilização recorrente e cotidiana de medicamentos para mudar a maneira como as pessoas se sentem, pensam e se comportam. De acordo com as demandas da sociedade atual, as pessoas trabalham cada vez mais, se envolvem em exigências cada vez maiores, buscam ideais de beleza, relacionamento e realização profissional propagados pelos mais diversos meios midiáticos e, ao mesmo tempo, estranham quando seus corpos dão sinais de que algo está errado (cansaço, ansiedade, tristeza). É nesse momento que, frequentemente, ao invés de dirigir o olhar para mudanças necessárias na vida, temos sido incentivados a mudar os nossos corpos (principalmente com medicações, mas também com outras estratégias) para que eles se adaptem a uma vida “doente”.

Olhando o contexto cultural no qual estamos inseridos, percebe-se que a psicologia, enquanto ciência, precisa estudar mais sobre promoção e prevenção em saúde. Pensando na possibilidade de evitar a cronificação dos problemas na vida adulta, pode-se perceber a psicoterapia infantil como uma forma de prevenção em saúde. O psicoterapeuta que atende crianças necessita do treino de um repertório ainda mais complexo do que o psicoterapeuta de adultos. O terapeuta infantil precisa aprender a utilizar recursos lúdicos, que podem ajudar em todos os momentos do processo terapêutico. Além disso, o terapeuta precisar saber lidar não só com cada criança individualmente, ele precisa ter habilidade para envolver no processo terapêutico os pais, outros familiares, cuidadores, a escola e demais personagens que possam fazer parte da rotina da criança que está sendo acompanhada. Contudo, o principal referencial do processo sempre é o sofrimento da criança e o principal objetivo é ajudá-la a encontrar caminhos para sentir-se melhor.

Preocupados com esse contexto, o Instituto Transformação percebeu a necessidade de se discutir o desenvolvimento infantil e as contribuições mais recentes que a ciência pode ofertar para melhor capacitar os estudantes de psicologia e psicólogos e/ou psiquiatra, que atuam nesse universo tão complexo do mundo infantil, iniciando, este ano, sua primeira turma do Curso de Aperfeiçoamento em Terapia Analítico Comportamental Infantil (TACI), coordenado pelas sócias-diretoras Psic. Ms. Janaina Teixeira e Psic. Ms. Luciana Assis Silva. Acreditamos que o conhecimento fundamentado em coerência teórica e prática ajuda a ampliar a gama de profissionais qualificados. Esses profissionais poderão desenvolver mais estudos e ações voltadas para o bem-estar psíquico de nossa sociedade a partir das discussões desenvolvidas ao longo dos módulos que serão ministrados pelas principais referências locais nos temas que serão abordados.